Câncer tem cura. Previna-se

Cirurgia cardíaca realizada pela primeira vez no Espírito Santo é alternativa para pacientes idosos e de alto risco

Minimamente invasiva, a cirurgia é feita por uma incisão de cinco centímetros ao invés de abrir o peito do paciente, permitindo uma recuperação mais rápida


Foi realizada, no dia 30 de dezembro de 2016, uma cirurgia inédita no Espírito Santo: o implante de prótese valvar pela técnica transapical em posição mitral com a prótese Inovare, com uma válvula sendo colocada dentro de outra. O procedimento, feito pela equipe do cirurgião cardiovascular e endovascular da MedSênior, Fábio Reis, é uma alternativa para idosos e pacientes de alto risco com contraindicação aos tratamentos convencionais de problemas que provocam o estreitamento das válvulas mitral e aórtica.

A cirurgia foi realizada em um beneficiário da MedSênior de 82 anos de idade, que já havia passado, em 2004, por outra operação de válvula, com o próprio cirurgião cardíaco Fábio Reis. Agora, ele apresentava uma ruptura da válvula e necessitava de um novo procedimento. “Diante da idade avançada, o paciente não poderia passar por uma cirurgia agressiva, o que levou a equipe a optar pelo método não invasivo”, explica o médico.

O procedimento mais comum, que foi contraindicado para o paciente, é o de troca valvar cardíaca de peito aberto, com todo o sangue desviado do coração para uma máquina, com período de internação de até dez dias, sendo necessária transfusão de sangue e derivados e com risco de infecção em função do corte no tórax.

 “É necessário que o médico pare o coração do paciente, abra o peito, faça a cirurgia e depois recupere os batimentos cardíacos, desligando a máquina. O paciente fica entubado e ligado a aparelhos de 6 a 8 horas e requer, no mínimo, 72 horas de UTI. Neste novo método realizado, o paciente já saiu acordado, conversando com a equipe médica, extubado e sem dor. Precisou ficar apenas 24 horas na UTI e outras 24 horas no quarto, tendo alta em seguida, no domingo, dia 1º de janeiro”, conta doutor Fábio Reis.

Pela nova proposta, nos casos selecionados, o tempo da cirurgia cai de 4 a 6 horas para 50 a 70 minutos e a recuperação, que leva de dois a três meses, ocorre em cerca de 15 dias. O corte, que na cirurgia convencional chega a 30 centímetros, resume-se a uma incisão de cinco centímetros. Um cateter balão é inserido nesta incisão, dilata o canal e libera o funcionamento da prótese na válvula mitral.

Além da técnica inédita, que corrigiu o desgaste na válvula do coração com um procedimento mais simples e rápido, a válvula utilizada é a primeira válvula cardíaca nacional para implante minimamente invasivo. Feita com uma membrana que envolve externamente o coração bovino e uma estrutura metálica, a válvula tem viabilizado a restauração do coração de pacientes graves sem a necessidade de cirurgias de grande porte. “É uma prótese nacional, que custa cerca de 50% menos que as importadas, sendo tão boa quanto ou até melhor”, frisa o cirurgião.

Realizado no Brasil desde 2009, este procedimento é feito por poucos centros médicos no país e apenas por cirurgiões que dominam a técnica. Antes de realizar a primeira cirurgia no Estado, o doutor Fábio Reis, formado em Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), fez curso de especialização nesta técnica, fazendo diversas cirurgias em robôs e animais.

Válvula mitral
A valva ou válvula mitral é a estrutura do coração responsável pela passagem de sangue do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo, funcionando como portas que se abrem apenas em uma direção. Quando ela não cumpre essa função, precisa ser reparada, reconstruída ou substituída em procedimento cirúrgico.

O problema afeta, em sua grande maioria, pessoas idosas. Por ser considerada, até então, uma cirurgia muito agressiva, em muitos casos não podia ser indicada. Com a nova técnica, realizada pela primeira vez no Estado em um paciente da MedSênior, plano de saúde especializado em pessoas idosas, ocorre uma redução drástica dos riscos. “O paciente tem uma recuperação melhor, com menos dor e complicações pós-operatórias, culminando com diminuição da permanência hospitalar”, frisa doutor Fábio Reis.
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