A culpa realmente é da Baleia Azul?


Recentemente foi noticiado em vários meios de comunicação, que um jogo virou mania na Europa e que tirou a vida de vários jovens e adolescentes, o jogo da Baleia Azul. E vendo depoimentos de pais “super preocupados” e de autoridades a respeito do tema, me peguei pensando no seguinte: A culpa realmente é da Baleia Azul?

Vi algumas citações de pessoas que chegaram a dizer que falta cor em nossas famílias. Pois, quando acabarmos com a Baleia Azul virá o elefante cinza, o tigre roxo, o pica pau amarelo de bico torto, etc. Nós estamos constantemente transferindo nossa culpa para outros ou outras coisas. E esquecemos que, a responsabilidade pelos nossos atos é consequência de um círculo vicioso, de constantes faltas de afeto e atenção.

Nossas famílias são do mesmo tom cinza. Pais sem tempo, sem paciência, sem afeto e sem carinho. Relegam os filhos e lhes dão bens materiais, como tablets, celulares de última geração e internet de altíssima velocidade, para que a criança fique entretida, pois assim sobra mais tempo para o pai responder um e-mail de trabalho ou simplesmente para ir para o bar ou para o futebol. Mães que, a fim de calar a criança que está chorando pedindo atenção, simplesmente entregam o Smartphone como forma de entretenimento, enquanto ela está conversando com as amigas ou vendo aquele programa de culinária.

Pais o seu filho precisa de atenção, de um simples abraço, um “oi amigão”, de um corre, corre, de um chute em sua bola. Mãe passa a mão no rostinho lindo de seus filhos, senta para ver um filme, pergunte como foi o seu dia na escola, tem tantas coisas para se curtir em família. Você sabe quem é o amigo de seu filho, sabe se ele gosta da cor azul ou do amarelo, sabe a sua comida predileta? Pois é, se não se sabe isto de seus filho, logo nem sabem o que ele está jogando, com quem está conversando.  Aquele simples amiguinho virtual, pode ser um mostro a entrar em seu lar.

A Internet é uma porta para o desconhecido. Eu que sou adulto, às vezes tenho medo de algumas coisas que vejo na rede. E me preocupo muito, ao ver os pais se descabelando, por causa de um jogo, que a meu ver não fará nada, caso os mesmos comecem a pegar para si a responsabilidade de ensinar os filhos, de amar, de tirar aquele tempo e olhar os cadernos, de desenhar com a criança, de sair para tomar um sorvete na rua. Não devemos transferir nossa missão de cuidar de nossa herança a outros.

A Baleia Azul logo vai passar e outro jogo irá surgir e outro e ainda mais outro, mas a missão de ser pais não. Vamos mudar a paleta de cores de nossa família e transformar o cinza morto em um arco-íris de alegria e oportunidade. Pois, quanto mais conhecermos nossos filhos e tivermos um relacionamento de confiança e sinceridade, não vai ter Baleia Azul que faça afundar nossos jovens.


Rodrigo Da Costha - Jornalista
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