Professor da Serra é o servidor mais velho da prefeitura


A disposição e a vontade de querer continuar na ativa dariam inveja a muitos jovens trabalhadores, mas são algumas das características mais evidentes de Célio Soares Siqueira, no auge dos seus 71 anos. O professor “Celinho”, como é conhecido por alunos e professores, é o servidor efetivo mais velho da prefeitura da Serra.
E ele não pensa em parar de trabalhar. “Me chamam de louco quando falo que não quero me aposentar. Quando mudou a regra da aposentadoria compulsória e eu não precisei mais me aposentar aos 70, fiquei feliz. Mas agora com a proposta de reforma da previdência e a possibilidade de mudanças para servidores, vou me aposentar em maio, mesmo não querendo. Mesmo aposentado, não vou parar. Se eu não conseguir voltar pra sala de aula, vou dar aula particular em casa”, conta.
Nascido em 11 de março de 1946, o professor Celinho está na prefeitura desde 1995, quando foi contratado para dar aulas de matemática. Naquele momento, o professor, que também é engenheiro por formação, pôde se dedicar exclusivamente a uma antiga paixão.
“As salas de aula sempre foram a minha paixão. Descobri esse prazer ainda no ginásio (hoje conhecido como ensino fundamental), quando, pelo meu bom desempenho, fui convidado a substituir um professor que havia falecido – foi ali, aliás, que dei aula para a mulher que viria a ser minha esposa. Anos mais tarde, comecei a fazer faculdade de matemática paralelamente à de engenharia. Me formei primeiro nesta e fui trabalhar na área. Saí de Minas Gerais, minha terra natal, e vim para o Espírito Santo. Foram anos me dedicando à engenharia até que, depois de aposentado, em 1992, voltei a me dedicar a ensinar”, contou.
Em 2002, fez o concurso para a área e foi aprovado. Lecionou nas escolas Amélia Loureiro Barroso, Dom Helder Pessoa Câmara e Américo Guimarães Costa. Em 2013, deixou as salas de aula e passou a atuar na Comissão de Desenvolvimento Funcional do Magistério, como analista de progressão.
O segredo da vitalidade e da vontade de não querer parar tão cedo, ele conta: alimentação equilibrada, caminhada diária de 6 quilômetros, e fazer o que gosta para ter boas histórias.
“O momento mais marcante pra mim foi quando ajudei a um aluno que vivia cabisbaixo. Ao descobrir que ele tinha dificuldades para enxergar, o levei para fazer óculos. Ele se transformou em sala de aula, se tornou participativo. Começou a se destacar, fez faculdade de matemática e hoje dá aulas no Canadá. Todo ano, quando ele vem ao Brasil, nos encontramos”, conta o professor, orgulhoso.
Tecnologia do Blogger.