Espetáculo “Se eu Fosse Iracema” desembarca em Vitória

Resultado da primeira pesquisa de linguagem do 1COMUM, o monólogo interpretado por Adassa Martins, com dramaturgia de Fernando Marques e direção do capixaba Fernando Nicolau, leva à cena a questão indígena



Se Eu Fosse Iracema chega pela primeira vez em Vitória para quatro únicas apresentações no Centro Cultural Sesc Glória (Teatro Virgínia Tamanini), de 08 a 11 de junho, às 19 horas. Sucesso de público e crítica nos principais centros culturais do Brasil, o espetáculo propõe um olhar sobre o universo indígena brasileiro, transitando entre a tradição e a sua situação atual.

Desde a estreia, o espetáculo tem tido excelente repercussão junto ao público e à crítica nos principais centros culturais do país. Foi contemplado na categoria figurino pelos Prêmios Shell, APTR e Cesgranrio no ano de 2017. Além de indicações na categoria atriz no Prêmio Shell e APTR, e indicação na categoria autor no Prêmio APTR. Segundo o crítico Valmir Santos, "o tripé composto de atuação, dramaturgia e direção sustenta uma teatralidade notável".

Se eu fosse Iracema surgiu a partir de uma carta escrita em 2012 pelos guarani e kaiowá em que eles pediam que se decretasse sua morte em vez de tirá-los de suas terras. O fato chamou a atenção de Fernando Nicolau e Fernando Marques, que começaram uma intensa pesquisa acerca da questão indígena no Brasil. A eles juntou-se a atriz Adassa Martins e os três desenvolveram a obra que estreou em abril de 2016 no Sesc Tijuca, Rio de Janeiro.

O espetáculo não tem a intenção de levantar bandeiras, mas de trazer à reflexão um assunto de extrema importância. Adassa Martins ressalta a necessidade "de ecoar essas vozes tão caladas desde 1500. Olhamos tão pouco para os índios, e as questões permanecem as mesmas até hoje". A atriz conta ainda sobre como desenvolveu uma interlíngua: “Ouvi os pajés e diversos índios falando em documentários e percebi os fonemas mais presentes. A ideia é criar uma fusão do português com uma língua indígena”. Além da interlíngua, há ainda trechos em guarani, traduzidos pelo cineasta indígena Alberto Álvares Guarani.

O figurino de Luiza Fardin, assim como o cenário de Fernando Nicolau, aposta no uso de poucos elementos, mas bastante eloquentes, criando um diálogo com a devastação da natureza, das terras indígenas e do próprio índio. A luz, assinada também por Nicolau, cria ambiências que ressaltam a diversidade de momentos e climas propostos pela dramaturgia e pela direção e que se materializam nos vários tons da atuação de Adassa Martins. A trilha sonora original de João Schmid evidencia transições importantes do espetáculo.

SERVIÇO

Espetáculo: Se eu fosse Iracema
De: 08 a 11 de junho de 2017
Horário: 19 horas
Local: Centro Cultural Sesc Glória, Teatro Virgínia Tamanini (Av. Jerônimo Monteiro, 428, Centro)
Informações: (27) 3232.4765
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (estudantes, idosos e comerciários)
Horários da bilheteria: Terça a domingo, de 10 às 20 horas.
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