Câncer tem cura. Previna-se

Comarca de São Mateus comemora adoção de adolescente que completaria maioridade no fim do ano

É o 9º caso de adoção tardia nesta faixa etária nos últimos 3 anos no Brasil. Menos de 1% dos pretendentes procuram por jovens dessa idade.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo comemora na data de hoje, 28 de julho, a adoção de uma adolescente de São Mateus, que encontrou sua família bem perto de completar seus 18 anos, que serão celebrados em novembro deste ano.
O caso é raro, e reflete a busca dos pretendentes por jovens nessa idade, que hoje é inferior a 1% das intenções de acolhimento. De acordo com informações da Vara da Infância e da Juventude de São Mateus, nos últimos três anos, o Brasil registrou apenas oito casos de adoção de adolescentes nessa faixa etária.
Aos sete anos de idade, a jovem e seus quatro irmãos foram abrigados na Casa Lar de São Mateus, sendo destituídos do poder familiar em 2013, quando passaram a constar na lista de crianças disponíveis para adoção. Já com quinze anos de idade, a adolescente foi transferida para a unidade de acolhimento Vista do Cricaré, onde conheceu o casal que viria a se tornar seus pais.
O casal, que já possuía duas filhas biológicas, costumava realizar visitas ao abrigo para oferecer ajuda e logo estabeleceu uma relação de confiança e carinho com a adolescente. Por diversas vezes, passavam o dia com a adotanda, estreitando os laços e estabelecendo uma relação de afetividade. Com o crescimento do vínculo, decidiram então ingressar com ação de adoção em favor da jovem, que já contava dezessete anos.
Ingressada a ação, o Juiz da Vara da Infância e Juventude, Órfãos e Sucessões de São Mateus requisitou que a Central de Apoio Multidisciplinar (CAM) realizasse estudo técnico junto aos autores, antes de conceder a guarda provisória, obtendo parecer favorável da Central.
Já residindo naquele que viria a se tornar seu lar, a jovem e seus futuros pais finalmente participaram da audiência de instrução e julgamento, em que o Juiz da Infância Antônio Moreira Fernandes, com o parecer positivo do CAM e do Ministério Público Estadual, julgou procedente a adoção que permitiu a menina ter uma família.
Para o magistrado, o índice de adoção de crianças no Brasil ainda é muito aquém do necessário para proporcionar às crianças e aos adolescentes acolhidos uma vida digna inserida numa família.
“Por isso, poder atuar em um processo de adoção de uma adolescente de 17 anos, abrigada na unidade de acolhimento da Comarca e prestes a atingir a maioridade, é algo extremamente gratificante”, frisou o Juiz.
O magistrado destacou ainda o empenho de toda a equipe da Vara da Infância e da Juventude da Comarca, em especial aos servidores Jaqueline Vial dos Santos Barbosa (Analista Judiciária), Rita de Cássia Louback Lara (Analista Judiciária), José Antônio Afonso de Oliveira (Analista Judiciário), Bruno Alves Montardi (Assessor de Juiz), Renata Santos Oliveira (estagiária de pós-graduação) e Brenda Nascimento Dias (estagiária), que não mediram esforços no acompanhamento às instituições de acolhimento de São Mateus, sempre visando o melhor interesse dos acolhidos.
A adoção Tardia
Hoje, no Espírito Santo, existem 855 casais habilitados em busca de um filho. São 140 meninos e meninas acolhidos, prontos para adoção. Mas se o número de pretendentes é seis vezes maior que o de crianças e adolescentes disponíveis, por que a fila não ‘zera’? É que desse total, 86% têm mais de 08 anos de idade, 49% fazem parte de grupos de irmãos e 23,5% possuem alguma condição especial de saúde. Ou seja, pertencem a um espectro ainda preterido pelos aspirantes a pais e mães, que em sua maioria procuram por bebês com até 3 anos de idade.
Com a intenção de modificar esse cenário, o Pode Judiciário do Espírito Santo, por meio da Corregedoria Geral da Justiça, da Comissão Judiciária de Adoção (CEJA) e da Assessoria de Comunicação do TJES, lançou no mês de maio, em que se celebra o Dia Nacional da Adoção, a campanha “Esperando Por Você”, que percorreu shoppings e cinemas da Grande Vitória e espalhou emoção pela internet.
Nos vídeos, grupos de irmãos, crianças mais velhas ou com alguma condição especial de saúde, que já estão prontas para a adoção, falaram sobre si: quem é cada um deles, do que gostam, com o que sonham, etc.
Em menos de um mês, os 8 vídeos da campanha publicados no canal do YouTube da TV Justiça do Espírito Santo tiveram mais de 50 mil visualizações. E a CEJA recebeu mais de 300 e-mails e 200 ligações de interessados de todo o país.
A campanha continua em caráter permanente, e o site www.esperandoporvoce.com.br continuará no ar para dar visibilidade a essas e outras crianças e adolescentes que forem devidamente autorizados pelos Juízes das Comarcas onde vivem.
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