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O estudo, feito em parceria com a BRK Ambiental, aponta que
uma em cada quatro mulheres não tem acesso adequado à água tratada, coleta e tratamento dos esgotos e que a universalização dos serviços tiraria imediatamente 630 mil mulheres da pobreza
Hoje, no país, 27 milhões de mulheres – uma em cada quatro – não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária, sendo o saneamento variável determinante em saúde, educação, renda e bem-estar.
Foto: Pixabay.
A falta de saneamento básico tem impactos negativos para toda a sociedade, e o problema é um dos fatores que reforçam a desigualdade de gênero no Brasil. Essa é uma das conclusões do estudo inédito “O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira”, feito pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a BRK Ambiental e apoio do Pacto Global, conduzido pela empresa Ex Ante Consultoria. O estudo revela que o acesso a água e esgoto tiraria imediatamente 635 mil de mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens.

“O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira” tomou como base dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Ministérios da Saúde, Educação e Cidades. A metodologia completa pode ser conferida emwww.tratabrasil.org.br.

Hoje, no país, 27 milhões de mulheres – uma em cada quatro – não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária, sendo o saneamento variável determinante em saúde, educação, renda e bem-estar. Os resultados do estudo se somam às preocupações levantadas pela Campanha Outubro Rosa de atenção à saúde da mulher.

Os números mostram ainda que a falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é uma das principais causas de incidência de doenças diarreicas, que levam as mulheres a se afastarem 3,5 dias por ano, em média, de suas atividades rotineiras. O afastamento por esses problemas de saúde afeta principalmente o tempo destinado a descanso, lazer e atividades pessoais.

Meninas de até 14 anos são as maiores vítimas desse quadro, com índice de afastamento por diarreia 76% maior que a média em outras idades (132,5 casos de afastamento por mil mulheres contra 76). Já no caso da mortalidade, o déficit de saneamento é mais perigoso para a mulher idosa, que corresponderam a 73,7% das mortes entre as mulheres sem acesso ao saneamento.

O economista Fernando Garcia de Freitas, responsável pela pesquisa, lembra que quando há falta de água em casa ou quando alguém da família adoece em decorrência da falta de saneamento, em geral a rotina das mulheres é mais afetada – o impacto desses problemas no tempo produtivo delas é 10% maior que o dos homens.  “Temos um retrato evidente de como a falta de água e esgoto impacta a criança, a jovem, a trabalhadora, mãe e a idosa, impedindo a melhoria de vida e aprofundando as desigualdades”.


Ainda de acordo com Teresa Vernaglia, são informações impactantes dada a importância da autonomia financeira para a igualdade de gênero e para o empoderamento da mulher, previstos no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da Agenda 2030 da ONU. “Parte da transformação dessa realidade depende de investimentos e do compromisso das empresas com a universalização de água e esgoto”, completa a presidente da BRK Ambiental.

Um dos embaixadores do Instituto Trata Brasil, Dr. Artur Timerman, mestre em Infectologia pela Universidade de São Paulo, e presidente Sociedade Brasileira de Dengue/Arbovirosrs, acrescenta que um diagnóstico específico sobre os impactos à saúde da família é importante para compreender os problemas que a ausência do saneamento básico provoca na sociedade. “A situação do saneamento básico é preocupante e este estudo mostra que infelizmente estamos deixando gerações, sobretudo de mulheres, às margens devido a um problema que não corrigimos ainda. Sem oferecer água tratada e esgotamento sanitário adequado a todos, estamos condenando o nosso futuro".

O estudo apontou, ainda, que na idade escolar as meninas sem acesso a banheiro têm desempenho estudantil pior, com 46 pontos a menos em média no Enem quando comparadas à média dos estudantes brasileiros. O saneamento impacta também no ingresso ao mercado de trabalho, uma vez que o acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto poderia reduzir em até 10% o atraso escolar da estudante. Outro dado impactante aponta que 1,5 milhão de mulheres não têm banheiro em casa e que essas brasileiras têm renda 73,5% menor em comparação às trabalhadoras com banheiro em casa. 

No caso da renda, o acesso ao saneamento traria ainda um acréscimo médio de R$ 321,03 ao ano para cada uma dessas brasileiras, o que representaria um ganho total à economia do país de mais de R$ 12 bilhões ao ano.

Investimentos necessários à universalização do saneamento


O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), lançado em 2013 pelo Governo Federal, prevê alcançar a universalização do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto até 2033, mas o país não tem conseguido investir o suficiente nos últimos 11 anos. Para cumprir esta meta, estudos do setor mostram que o Brasil necessitaria de investimentos da ordem de R$ 20 bilhões por ano contra os R$ 11,5 bilhões investidos em 2016.

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