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Participando desde de domingo de uma missão do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) no Peru, a atriz americana Angelina Jolie disse nesta terça-feira estar "profundamente comovida" com a "força" e com a "dignidade" dos milhares de imigrantes que fogem da crise econômica da Venezuela e com a generosidade das nações que os acolhem.

Depois de se reunir com o presidente do Peru, Martín Vizcarra, e com o ministro de Relações Exteriores Néstor Popolizio, Angelina afirmou que essa crise migratória foi mais impactante porque "era previsível e evitável".

Domingo, a atriz esteve em Lima e onde visitou um abrigo para venezuelanos recém-chegados. Ontem, ela foi até à fronteira do Peru com o Equador para ver por onde milhares de imigrantes da Venezuela entram diariamente.
No último dia de trabalho como enviada especial, ela afirmou em entrevista coletiva que a América do Sul enfrenta "uma das maiores ondas migratórias da sua história". REUTERS / Morris Mac Matzen/Files.
"Todos os venezuelanos que conheci falaram que situação do país deles é desesperadora. Escutei histórias de gente morrendo por falta de médico e de remédio. As pessoas passam muita fome, e a violência e a perseguição são claras. Nenhum venezuelano que conheci queria caridade. Eles só queriam uma oportunidade. Conheci um homem que até poucos meses atrás era advogado na Venezuela. Agora, está muito feliz em uma pequena fábrica de camisas e consegue enviar algum dinheiro para a família", disse ela.

Angelina considerou que o Processo de Quito - reunião iniciada em setembro na capital do Equador com a participação de governos de 13 países para conseguir uma saída para o caso - é um primeiro passo para alcançar uma solução regional para a migração venezuelana. Ela aproveitou para lembrar que atualmente existem 68,5 milhões refugiados no mundo, o que "significa que uma pessoa se vê obrigada a se deslocar a cada dois segundos por razões de conflito ou perseguição".

Além disso, lembrou a importância de fazer a distinção entre imigrantes econômicos - que se deslocam "por razões que podemos compreender" - e refugiados - que "enfrentam ameaças e não podem voltar aos seus países de forma segura".

O ministro de Relações Exteriores do Peru disse que o trabalho de Angelina é "louvável porque tenta sensibilizar a comunidade internacional sobre um problema que requer maior cooperação não só dos países afetados, mas também do sistema das Nações Unidas". Ele reafirmou o compromisso de seu país em ser um lugar solidário e que busca um processo de migração "seguro, legal e ordenado", sem sentimento de discriminação.

No último um ano e meio, o Peru recebeu pelo menos 456 mil venezuelanos e se tornou o segundo país que mais recebe imigrantes deste fenômeno, só superado pela Colômbia, que tem cerca de 1 milhão.

Aproximadamente, 2,3 milhões de pessoas fugiram da Venezuela como consequência da crise, conforme dados da Organização das Nações Unidas, que alertou sobre a falta de alimentos e de remédios para a população. 

Por EFE.

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