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Os dados foram apresentados nesta segunda-feira, pela OIT.
Segundo as estatísticas de 134 países, os analistas da OIT determinaram que o crescimento real do salário foi de 1,8% no mundo no ano passado.
O crescimento mundial dos salários reais no ano passado foi não só o mais baixo desde 2008, como muito inferior ao nível anterior à crise econômica que explodiu há uma década, e as mulheres continuam a receber 20% a menos que os homens.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira no relatório sobre a evolução dos salários da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo o qual, nos países ricos, a diferença de remuneração entre os sexos é mais elevada na parte de cima da escala salarial.

Por outro lado, nos países de rendas média e baixa, a diferença de salários entre homens e mulheres é mais acentuada entre os trabalhadores com menor remuneração.

"A diferença de salário por gênero existe em todos os lugares, mas a magnitude varia consideravelmente de um país para outro", disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ao apresentar as conclusões do relatório à imprensa.

De acordo com Ryder, "as disparidades de remuneração por razões de gênero representam uma das maiores injustiças sociais da atualidade, e todos os países deveriam fazer esforços para entender o que se esconde por trás disso".

Segundo as estatísticas de 134 países, os analistas da OIT determinaram que o crescimento real do salário foi de 1,8% no mundo no ano passado. Em 2016, o aumento foi de 2,4%. Os salários na América Latina aumentaram 0,7% em 2017, e o Brasil registrou um aumento de 2,3%.

Os resultados são mistos entre países desenvolvidos do G20, mas verificou-se que o crescimento real de remunerações foi de 0,4% em 2017, o que na prática indica uma estagnação. Nos países emergentes, a evolução foi de 4,3%, intensificada graças à China.

Ryder afirmou que "os primeiros indicativos sugerem que o lento crescimento mundial dos salários continuará em 2018". As razões mais óbvias são o aumento da concorrência global, a perda da capacidade de negociação coletiva por parte dos trabalhadores e certa incerteza sobre o desempenho da economia que desalenta os aumentos de salários nas empresas.

A desaceleração nos ajustes salariais não tem relação com a produtividade, com a taxa de desemprego ou com o crescimento da economia, segundo a OIT.

Em termos de diferença salarial por razão de gênero, uma das causas é que "a maternidade gera uma clara penalização para as mulheres, já que a diferença de remuneração aumenta quando as mulheres têm filhos", ressaltou o representante da OIT.

"Por outro lado, para os homens há uma espécie de recompensa salarial por paternidade, ou seja, os homens com filhos tendem a ganhar mais do que aqueles sem filhos", acrescentou.

As mulheres também ganham menos como consequência de uma "segregação ocupacional" que as coloca nas categorias de trabalhos com remunerações menores.

Mesmo em uma empresa composta sobretudo por mulheres dentro de um mesmo segmento de atividade em que há outra com mais homens, a primeira pagará, no geral, salários mais baixos que a segunda.

Para reverter o efeito sancionador da maternidade, a OIT propõe que as mulheres tenham maior acesso a serviços de cuidado das crianças.

"Mas o mais simples é que quando há uma clara discriminação salarial são necessárias melhores medidas jurídicas. Dentro delas, a mais eficaz é a transparência, que haja disposições para que as empresas divulguem publicamente as próprias diferenças de salário", propôs Ryder.

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