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Com um "Brexit" sem acordo e sem imigração líquida comunitária, o impacto seria de 9,3% em 15 anos.
Foto: Divulgação
Um "Brexit" sem acordo reduziria o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido em 9,3% em 15 anos, enquanto um pacto similar ao proposto pela primeira-ministra Theresa May limitaria o impacto a 3,9%, segundo um relatório do governo britânico divulgado nesta quarta-feira.

O estudo, elaborado pelos ministérios do Tesouro, Empresa e para a saída da União Europeia (UE), entre outros, afirma que a economia sofrerá em todos os cenários possíveis do "Brexit", previsto para o próximo 29 de março, mas manterá o crescimento.

O governo publica esta análise no momento em que tenta convencer o Parlamento e a opinião pública sobre o pacto negociado com Bruxelas, que será submetido a votação na Câmara dos Comuns no dia 11 de dezembro.

Em seu comparecimento semanal diante dos deputados, May disse hoje que a análise confirma que o acordo aprovado no último domingo pelos membros da UE "é o que melhor protegerá o emprego e a economia" do Reino Unido.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, apontou que o próprio governo "reconhece" que o pacto proposto representará uma perda econômica.

Os ministérios analisaram o impacto do "Brexit", comparado com a filiação à UE, nos cenários hipotéticos de não acordo, uma filiação ao Espaço Econômico Europeu (EEE) como a Noruega, um pacto de livre-comércio ao estilo do que existe com o Canadá e um acordo similar ao conseguido pelo governo (com base nas propostas feitas por Londres desde julho deste ano).

A chamada análise econômica a longo prazo afirma que, na melhor das hipóteses - se o acordo pactuado pelo governo garantisse um comércio sem atritos e os níveis atuais de imigração -, a perda econômica seria de 0,6%.

Com um "Brexit" sem acordo e sem imigração líquida comunitária, o impacto seria de 9,3% em 15 anos, enquanto com um pacto parecido com o de May seria de 3,9% ou de apenas 2,5% se fosse alcançado um comércio sem barreiras.

Com uma filiação ao EEE, a redução do PIB seria de 1,4%, e de 4,9% com um acordo de livre-comércio como o do Canadá, desde que os níveis de imigração se mantivessem estáveis, ou de 6,7% se a imigração líquida fosse "zero".

Em caso de não acordo, as regiões britânicas mais prejudicadas seriam o nordeste e o noroeste ingleses, o condado central de West Midlands e a Irlanda do Norte, enquanto o pacto proposto pelo governo distribuiria mais o impacto com um maior efeito em Londres.

O relatório diz que, sem acordo bilateral, o governo poderia ser forçado a pedir emprestados 119 bilhões de libras adicionais daqui até 2035.

Essa quantia se reduziria a 26,6 bilhões de libras em caso de saída da UE com um acordo similar ao negociado por May, que contempla a eventual assinatura de um pacto de livre-comércio britânico-comunitário.

O ministro da Economia do Reino Unido, Philip Hammond, disse antes da publicação do documento que, embora em todos os casos o país será "economicamente mais pobre", o plano do governo "minimizará" o prejuízo.

Por parte dos empresários, a economista da patronal CBI, Rain Newton-Smith, destacou que o relatório "desenha o panorama sombrio a longo prazo de um 'Brexit' sem acordo ou com um pacto ao estilo do Canadá", e advertiu que, quanto mais se mantiver a ameaça do não acordo, "mais corrosivo será o impacto no emprego e o investimento".

Em paralelo a este relatório, o Banco da Inglaterra publicará hoje sua própria análise sobre o impacto do "Brexit", encomendado pela comissão do Tesouro do Parlamento.


Com informações de AGÊNCIA EFE.

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