Por EFE Carlos Meneses Sánchez, Brumadinho (MG)
EFE/ Antonio Lacerda
Além de uma intensa atividade de mineração, Brumadinho (MG) também vive de um incipiente turismo, agora vítima de um golpe praticamente fatal por causa do desastre provocado pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da Vale.

Como esperado, um clima de pessimismo tomou conta da cidade, que tinha encontrado no turismo uma promissora fonte de receita para reduzir a extrema dependência da mineração e, mais concretamente, da Vale, principal motor econômico da região.

O 'tsunami' de lama que devastou na última sexta-feira as instalações da mineradora, fazendas, pousadas, casas e estradas, deixou pelo menos 65 mortos, 288 desaparecidos e a sensação de que algo mais foi levado: a esperança de uma cidade.

"Acabou, acabou. Quem vai querer vir para um lugar de risco, onde a qualquer momento uma barragem pode se romper?", afirmou Natalia Farina à Agência Efe.

Ela é a fundadora do primeiro albergue de Brumadinho, o Hostel 70, e além disso procura o cunhado, desaparecido na tragédia.

Nos arredores desta cidade de 33 mil habitantes há inúmeras cascatas, rios, trilhas para caminhadas e a rica gastronomia de Minas Gerais.

Mas o maior atrativo é o museu Inhotim, considerado o maior centro cultural de arte contemporânea ao ar livre da América Latina e que foi esvaziado às pressas depois após o rompimento da barragem.

Com mais de 500 obras de artistas de renome nacional e internacional, Inhotim mantém as portas fechadas desde a catástrofe em solidariedade às vítimas e só reabrirá a partir de quinta-feira, embora "atento às condições da região", segundo a assessoria do museu.

Leonardo Esteves é diretor da agência de viagens Brumatur, fundada há seis anos, e disse à Efe que a tragédia ocorreu em um momento de "sinais claros de que o crescimento voltaria" após a profunda crise econômica de 2015 e 2016.

"Não estou querendo nem projetar como serão os próximos anos, porque se parar para pensar, as previsões serão horríveis", lamentou.

A agência organiza viagens ao exterior para moradores da região, muitos deles funcionários da Vale, e também oferece tours a Inhotim para turistas brasileiros ou estrangeiros.

Os primeiros cancelamentos de viagens desde a catástrofe já se materializaram em outras agências locais, disse Esteves.

"Por enquanto, não conseguimos medir o tamanho do estrago, mas já está à vista", contou.

Em um pequeno local onde vende chinelos e bonés, Francisco de Assis, pai de dois filhos, também espera o pior para os próximos anos.

"A economia agora vai piorar. Brumadinho dependia muito da Vale", afirmou.

A catástrofe "vai incidir direta e indiretamente em toda a vida financeira da população", comentou Darlene Roque, dona de uma imobiliária voltada principalmente a aluguéis por temporada.

"Todo o dinheiro que circula na nossa cidade vem dos empregos gerados pela Vale. Tudo aqui depende da Vale", explicou.

Por enquanto, a mineradora anunciou uma doação de R$ 100 mil para cada família de pessoa desaparecida.

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